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quinta-feira, 20 de agosto de 2015 escândalos políticos | 09:26

Denúncia contra Cunha racha o PMDB

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Os aliados de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não esperavam que a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra ele aparecesse nesta semana. Acreditavam que isto só ocorreria depois da sabatina a que o procurador-geral será submetido pelo Senado, na semana que vem.

Mas eis que ontem o jornal O Globo anunciou que a denúncia sai esta semana. Os outros jornais confirmaram, e o pânico se instaurou na Câmara, especialmente entre os peemedebistas e aqueles de outros partidos que se aliaram ao presidente da Casa.

Na procura de um discurso, o primeiro que eles têm à mão é da perseguição de Janot contra Cunha e de um acordão entre o procurador, a presidente Dilma Rousseff e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL):

Renan livraria Dilma da condenação pelo Tribunal de Contas da União (TCU), onde teria três dos oito votos; Dilma convenceria Janot a livrar Renan da denúncia na Lava Jato, e Janot ficaria livre para retaliar em cima de Cunha.

“É o acordão. Se esta semana sair a denúncia contra Cunha e não sair nada contra Renan, vai ficar evidente um acordão entre Dilma, Janot e Renan contra Cunha”, disse o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), um dos aliados do presidente da Câmara.

De fato, a denúncia de Janot contra Eduardo Cunha — e seu provável enfraquecimento — no mesmo período quem que a presidente Dilma se aproxima de Renan Calheiros têm um efeito positivo para o governo, conforme avalia o Palácio do Planalto. Mas esses dois fatos juntos têm também um efeito colateral perigoso: aprofundam a divisão da base governista, especialmente do PMDB.

O partido sempre foi rachado entre o grupo da Câmara, comandado por Temer e por Eduardo Cunha, e o grupo do Senado, comandado por Renan, pelo líder Eunício Oliveira (CE) e, mais recentemente, Romero Jucá RR).

Vale lembrar: Dilma e Renan vieram de um período de desentendimentos porque a presidente optou por um indicado de Temer para ministro do Turismo — o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves — em detrimento do então ministro que havia sido indicado por Renan.

Temer acabara de assumir como coordenador político do governo e bateu pé por sua indicação. Hoje, os aliados de Renan costumam apontar para as derrotas do governo na Câmara argumentando que o grupo de Temer nada resolveu.

Pois bem. Os aliados de Cunha agora pretendem reforçar que, enquanto ele é denunciado por Janot, Dilma está fechando uma aliança preferencial com o PMDB do Senado. Com isso, Cunha busca reagrupar o PMDB da Câmara, incluindo Michel Temer, em torno de sua causa.

Vice-presidente da República e ainda coordenador político do governo, Temer resiste. Seu grupo não vêm motivos para um abraço de afogados com Cunha e também não quer desembarcar num momento de crise dando força às conspirações contra o governo. Mas também não vê com bons olhos a aproximação entre Dilma e Renan Calheiros.

No meio disso, a presidente da República terá que agir com muita habilidade. O PMDB sempre soube transformar sua divisão interna em crises para os governos que apoiava.

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