Publicidade

sexta-feira, 4 de outubro de 2013 partidos | 22:43

Presidente do PEN ofereceu candidatura a Marina Silva, mas não abriu mão do controle da legenda

Compartilhe: Twitter

O leitor desavisado do noticiário político não deve estar entendendo o motivo pelo qual Marina Silva resistiu aos acenos de Adilson Barroso, presidente do Partido Ecológico Nacional (PEN), para que a ex-senadora se filie à legenda.

Afinal, Marina acaba de ter recusado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de registro de seu partido, a REDE. Sem um partido, Marina não teria chances concorrer à Presidência da República no ano que vem, como queria.

E Adilson Barroso ofereceu à ex-senadora não só a filiação. Ofereceu a candidatura presidencial, o cargo de presidente nacional do partido e, até, a possibilidade de mudar o nome do PEN.

Então por que Marina não aceitou?

Porque Adilson ofereceu isso tudo, mas não abriu mão do controle do partido.

Marina poderia ficar com a presidência do PEN, mas os demais cargos continuariam com os atuais comandantes da legenda. Ela seria uma espécie de rainha da Inglaterra.

Política experiente, a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente sabe que boa parte dos partidos nanicos vive sonhando com os anos eleitorais. Não porque ganhará muitos votos. Mas porque é nessa época que candidatos estão dispostos a colocar a mão no bolso.

O leitor pode imaginar quanto vale cada minuto de TV em horário nobre do programa eleitoral a que os partidos têm direito por lei. É este tempo de TV que faz muitos grandes partidos oferecerem mundos e fundos aos nanicos para formarem coligações.

Para o dirigente de uma legenda nanica, abrir mão do controle do partido é abrir mão da possibilidade de negociar nos Estados.

Negociar não só o tempo de TV nas campanhas majoritárias regionais, como também negociar a entrada de candidatos aos cargos proporcionais, especialmente aqueles dispostos a gastar.

Foi justamente por não ter o controle da legenda que Marina e seu grupo havia saído do Partido Verde (PV).

Não dava para caminhar rumo a uma candidatura presidencial sem ter segurança do apoio da legenda na base. Não daria para partir para uma campanha sob o risco, por exemplo, de o PV de Minas fechar com Aécio Neves (PSDB), ou o PV do Maranhão apoiar Dilma Rousseff (PT) e o de Pernambuco ficar com Eduardo Campos (PSB).

Imagina agora se, após ter abandonado o PV, ela entrasse no PEN e o nanico acabasse fechando com Sérgio Cabral e Eduardo Paes (PMDB) no Rio de Janeiro, ou ACM Netto na Bahia.

É por isso que Marina resistiu aos acenos do PEN.

Mas na política, como no amor, tudo é possível. O desfecho da novela pode surgir nas próximas horas.

Autor: Tags:

  1. Primeira
  2. 10
  3. 13
  4. 14
  5. 15
  6. 16
  7. 17
  8. Última