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sábado, 11 de abril de 2015 Congresso, governo | 09:53

Temer e Renan isolam Eduardo Cunha na cúpula do PMDB. Mas o presidente da Câmara reage

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Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Quarta-feira 8, um dia após a presidente Dilma Rousseff anunciar seu vice e presidente licenciado do PMDB, Michel Temer, como novo coordenador político do governo.

Não havia outro assunto nas rodas de conversas do Congresso: tudo girava em torno de Temer. Qual o significado da escolha de seu nome? Qual o futuro das relações entre o governo e o Congresso? Como ficará o PMDB?

No Cafezinho da Câmara, enquanto plenário fervia em votações, três deputados peemedebistas conversavam: Vitor Valim (CE), Soraya dos Santos (RJ) e Lúcio Vieira Lima (BA).

“E aí, o que vocês acharam do Temer?”, pergunta Valim.

“Não tenha dúvida de que ele está forte. Resta saber por quanto tempo”, responde Vieira Lima.

Foto: Gabriela Korossy/Ag Camara

Foto: Gabriela Korossy/Ag Camara

“Pra mim é evidente que ele foi escolhido para dividir a bancada do PMDB na Câmara. Nós temos que nos unir em torno do Eduardo Cunha (PMDB-RJ, presidente da Câmara) e escolher duas ou três votações para derrotar o governo e mostrar nossa força”, interveio Soraya.

A deputada, casada com o ex-deputado Alexandre Santos (PMDB-RJ), citado na Operação Lava Jato, faz parte da tropa de choque de Eduardo Cunha. Vieira Lima já fez parte desse grupo, mas foi atropelado pelo presidente da Câmara quando este trabalhou pela eleição de outro representante do Rio de Janeiro, Leonardo Picciani, como líder do partido.

“Não sei se vale a pena brigar com o Temer” contrapôs o deputado baiano.

Ao que o colega do Ceará respondeu: “Se vale a pena, eu não sei. Só sei que a escolha de Temer realmente divide o PMDB. Viram o Renan (Calheiros, PMDB-AL, presidente do Senado)? Já está aplaudindo a Dilma e o Temer. O Eduardo Cunha ficou sozinho.

Pano rápido.

Naquele mesmo horário Renan estava sendo chamado por Dilma Rousseff para um encontro tête à tête no Palácio. Somente os dois. Conversaram por cerca de uma hora. Renan saiu de lá calado. Não contou a ninguém detalhes da conversa. Dilma telefonou para Michel Temer logo a seguir:

“Tivemos uma ótima conversa. Acho que vai dar tudo certo”, disse a presidente a seu vice. Temer, que havia preparado o encontro, imediatamente telefonou para Renan. O presidente do Senado confirmou que a conversa “foi boa”, ao contrário das vezes anteriores. Marcaram de se encontrar neste domingo ou na segunda-feira.

Ainda não se sabem detalhes do que Dilma, Renan e Temer acertaram. Mas seus interlocutores dão como certo que, enfim, Renan aceitou a nomeação do ex-deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para o comando do Ministério do Turismo. O atual ministro, Vinicius Lages, indicado pelo presidente do Senado, não ficará a ver navios. E Renan deverá receber um pacote de bondades de contrapeso. Além disso, formará com o agora poderosíssimo Michel Temer o núcleo de comando do PMDB nacional.

Vale lembrar que, entre as atribuições da extinta Secretaria de Relações Institucionais transferidas para as mãos de Temer estão as nomeações de quase todos os cargos de segundo escalão do governo e a priorização das benesses do Orçamento da União distribuídas para prefeituras, ou seja, a base eleitoral de todos os parlamentares.

Quinta-feira, 9. Dia seguinte à conversa de Soraya com os colegas no Cafezinho.

O plenário está lotado para a votação da medida provisória 661/2014, que auotorizou o Tesouro a conceder empréstimos de R$ 30 bilhões para financiar a solução de problemas causados por desastres naturais. “Duas ou três” — como diria a deputada Soraya — emendas votadas no plenário comandado por Eduardo Cunha pegaram o governo de surpresa.

Duas foram aprovadas à revelia do Palácio do Planalto. Uma emenda do PSDB que permite a “quebra de sigilo” de operações do BNDES. E outra, do partido Solidariedade, que destina à extensão rural 2,5% de todo o financiamento realizado pelo BNDES a taxas subsidiadas.

A terceira emenda estava quase sendo aprovada quando o deputado Silvio Costa (PSC-PE) conseguiu convencer o plenário de que ela era absolutamente inconstitucional. Autorizava o BNDES a destinar R$ 50 milhões para a reforma de um shopping center no Rio de Janeiro, o Nova América, que sofreu incêndio.

Em outras palavras: Dilma conseguiu isolar o oposicionista Eduardo Cunha na cúpula do PMDB, entregando o poder a Michel Temer e Renan Calheiros. Mas o governo que se prepare. A tropa de choque o presidente da Câmara não pretende ficar inerte.

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quinta-feira, 9 de abril de 2015 Congresso | 20:34

Por pouco Eduardo Cunha impunha mais um prejuízo ao governo (ou como os jabutis sobem nas árvores do Congresso)

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Estava tudo pronto para aprovação, na noite desta quinta-feira, da medida provisória que criou um fundo de recursos públicos destinados à reconstrução de municípios afetados por desastres naturais. Foi quando o deputado Silvio Costa (PSC-PE) pediu a palavra para alertar ao plenário de um ponto que ninguém havia notado:

Um dos itens do texto autorizava o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a conceder empréstimo subsidiado de R$ 50 milhões para a reforma do Shopping Center Nova América, no Rio de Janeiro, atingido por incêndio no ano passado.

“Senhor presidente da Câmara, Eduardo Cunha, trata-se de uma medida provisória sobre desastres natuarais, e este incêndio no shopping está longe de ser um desastre natural. O senhor tem obrigação de considerar inconstitucional este item e retirá-lo do projeto em votação” , disse o deputado.

O presidente da Câmara, que pertence ao PMDB do Rio de Janeiro, resistiu. Argumentou que o corpo técnico da Câmara não havia detectado inconstitucionalidade neste ponto e que o texto fora votado em comissões com a aprovação da maioria dos partidos. Ia continuar a votação mesmo assim.

Mas os líderes da oposição ameaçaram obstruir a aprovação de toda a MP e cobraram acordo dos demais líderes. Eduardo Cunha argumentou que só se houvesse unanimidade dos líderes aceitaria a retirada: “Estou preso ao regimento”.

Não apareceu ninguém para defender os tais R$ 50 milhões. É o que no Congresso se costuma chamar de “jabutis na árvore”. Eles não chegam lá sozinhos. Mas ninguém assume que os colocou. O item foi retirado do texto e a MP, aprovada.

O iG foi ouvir Silvio Costa para tentar descobrir a origem do jabuti. O máximo que o deputado diz publicamente é que o texto foi de autoria do relator da MP, Leonardo Quintão, do PMDB de Minas Gerais. Um deputado que nada tem a ver com o Rio de Janeiro, naturalmente.

Silvio Costa deixa no ar suas suspeitas… Assista:

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Congresso | 05:49

“Dilma precisa de um negociador de sequestro”

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O senador Magno Malta (PR-ES) já foi governista de carteirinha durante a administração do ex-presidente Lula.

Agora ele diz que o governo do PT está como “água morro abaixo”, ou seja, em queda acelerada.

Mas compara a administração da presidente Dilma Rousseff à vítima de um sequestro. Provavelmente mantida em cativeiro por sua própria base de sustentação no Congresso.

No vídeo abaixo, Malta diz não acreditar que o novo coordenador político do governo, o vice-presidente da República, Michel Temer, conseguirá resolver o problema.

“Michel é um intelectual, um cara bacana, um cerimonialista. Mas não vejo futuro”, argumenta.

E como libertar Dilma Rousseff?

Segundo ele, a presidente precisa de um especialista, “um negociador de sequestro”. E aponta o nome ideal: seu colega de Senado Romero Jucá (PMDB-RR), que foi líder do governo nas gestões de FHC e de Lula e até no primeiro mandato de Dilma Roussef.

Por que Romero?

Porque ele, segundo Malta, sabe falar “com o sequestrado, com a polícia, com o sequestrador, com a família do sequestrado, a mãe do sequestrador que está chorando… fala com todo mundo, se mete no meio da confusão e ainda leva o dinheiro do resgate”.

É. Ele disse isso mesmo! assista:

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quarta-feira, 8 de abril de 2015 Congresso, governo | 03:02

Assista entrevista de Renan Calheiros: “Dilma está dando uma virada no governo”

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O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem sido apontado como um dos pivôs da crise entre a presidente Dilma Rousseff e sua base parlamentar. Dividiu com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os principais momentos de tensão entre o Congresso e o governo nos últimos meses.

Mas agora, com a oficialização do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), como o coordenador político do governo, Renan parece decidido a se diferenciar de Cunha, que nos bastidores continua com armas em punho contra a presidente.

Em entrevista ao iG, Renan Calheiros classificou como “uma demonstração de ousadia” de Dilma a escolha de Temer, pois “denota que ela está querendo dar uma virada” no relacionamento com os aliados:

“Primeiro na redução do número de ministérios, que é a primeira consequência prática da designação de Michel Temer. Segundo, porque é uma definitiva tentativa de aproximação com o Congresso e de aprimoramento da própria coalizão.”

O que Renan entende como “virada” na escolha de Temer é o fato de Dilma ter vencido as resistências do PT para a inclusão do PMDB no núcleo de decisões do governo.

Vale lembrar que foi anunciada a transferência para Temer de todas as atribuições da Secretaria de Relações Institucionais. Entre as principais atribuições desta Secretaria (também chamada de Secretaria de Coordenação Política) está o levantamento e a distribuição dos cargos de segundo escalão do governo. Com Temer comandando-a, será difícil para o PT armar barreiras contra o quinhão dos partidos aliados nos cargos do Executivo.

Vale também lembrar que quando Renan sublinha a diminuição do número de ministérios a partir da extinção do cargo de ministro da Secretaria de Relações Institucionais — até ontem ocupado por Pepe Vargas — ele está se referindo a outra reivindicação do PMDB, que é a de corte e fusão de pastas ministeriais.

Assista a entrevista e veja se Renan não parece convincente.

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quarta-feira, 1 de abril de 2015 Congresso | 01:00

Ministro Joaquim Levy e tucano José Serra trocam figurinhas e desobstruem canais entre governo e oposição. Assista

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Pouco antes da reunião de líderes do Senado em que foi decidido o adiamento da votação do projeto que obriga o governo a regulamentar o novo indexador das dívidas de Estados e municípios, ontem, o senador tucano José Serra (SP) contou ao líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE), que estava disposto a ajudar nas negociações.

Serra revelou ao peemedebista que havia conversado sobre o assunto por telefone com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por quarenta minutos no dia anterior.

Adversário de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais de 2010, e um dos principais caciques do PSDB, Serra de fato deu mostras de que está disposto a manter uma relação cordial com o ministro da Fazenda.

Ontem mesmo, durante a apresentação de Levy na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, a cordialidade entre Serra e o ministro foi decisiva para dar o tom ameno da oposição na discussão da renegociação da dívida dos estados.

Com isso, Levy não só conseguiu evitar uma derrota iminente do governo, como abriu caminho para estender a outros estados e municípios os termos do acordo acertado com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Na verdade, durante a sessão da CAE, José Serra explicou ao ministro que o governo errou foi ao impugnar a lei de renegociação da dívida com estados e municípios aprovada em novembro. Segundo ele, o governo gerou a impressão para o mercado de que aprovação definitiva do novo indexador pelo Congresso causaria grandes danos ao Orçamento.

Para o mercado e para a política, o que interessa às vezes é mais a aparência das coisas do que a própria coisa em si. Neste caso, menos os termos das negociações das dívidas, e mais a forma como essa negociação foi feita.

Ou, no caso de Serra e Levy, menos a discussão técnica em si, e mais o fato de o ministro e o cacique da oposição terem aberto um canal de interlocução.

Veja abaixo o relato de Serra ao iG sobre essas conversas com Levy:

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