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Arquivo de outubro, 2013

quinta-feira, 10 de outubro de 2013 partidos | 00:55

Do vice-presidente do PSB: ‘O adversário do Eduardo Campos em 2014 é o Aécio, não a Dilma’

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AmaralVice-presidente nacional do PSB, o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral é um dos principais ideólogos de seu partido.
Deixou o governo Lula na reforma ministerial de 2004, depois de escandalizar ecologistas liderados pela então ministra Marina Silva ao defender que o Brasil tem o direito de dominar a tecnologia da bomba atômica.
Mas agora Marina não conseguiu oficializar a criação de seu partido, a REDE, e anunciou sua filiação ao PSB de Roberto Amaral.
Esta coluna foi perguntar ao ex-ministro como será o convívio entre formas tão diferente de ver o mundo. Amaral respondeu:
– Eu e a Marina pensamos mesmo de maneira diferente em vários pontos. Não só na questão nuclear. A verdade é que ela está vindo para formar uma aliança da REDE, um partido que continua em formação, com o PSB. Nós os abrigamos até que eles possam oficializar a nova legenda. Eles estarão filiados ao PSB, mas não são militantes do nosso partido.
iG – Mas isso não cria uma disputa interna muito complicada? Por exemplo: o governador Eduardo Campos (Pernambuco) é candidato a presidente da República pelo partido. A Marina também?
Roberto Amaral – De forma alguma. Foi tudo muito bem conversado, com muita lealdade. O Eduardo deverá ser o cabeça da chapa. A Marina fica como vice. Vamos construir uma proposta de governo fruto dessa aliança, que una o desenvolvimentismo socialista do PSB com a sustentabilidade defendida pela Rede. Dá para trabalhar nessa direção.
iG – E quanto ao outro provável candidato à Presidência da República, o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Ele tem uma boa relação com o Eduardo Campos. Fala-se ainda na possibilidade de uma aliança entre o PSB e o PSDB.
Roberto Amaral – Acho praticamente impossível. Acredito que a presidente Dilma Rousseff estará no segundo turno. Então só sobra uma vaga. Portanto, o nosso grande adversário é o Aécio, não é a Dilma. É contra o PSDB que vamos disputar essa vaga. Uma situação muito semelhante à de 2002, quando o candidato do PSB à Presidência foi o deputado Anthony Garotinho (hoje no PR do Rio de Janeiro). Nosso adversário não era o Lula, era o José Serra (PSDB). E nós quase fomos para o segundo turno.
iG – Mas vocês terão que fazer isso sem queimar as pontes com o PSDB, para obter o apoio dos tucanos num eventual segundo turno.
Roberto Amaral – Exatamente. Teremos que saber dosar muito bem nossa campanha. Mas creio que os tucanos não terão outro caminho que não seja o de nos apoiar num segundo turno. Eles vão bater muito na Dilma, no governo, no PT…
iG – E vocês?
Roberto Amaral – Nós vamos defender o avanço das políticas sociais deste governo. Vamos apontar para frente. Como que eu e o Eduardo, que fomos ministros do Lula e mantivemos o PSB no governo Dilma, vamos poder sair por aí batendo? Não dá.
iG – A Marina vai transferir os votos de seus eleitores para o PSB?
Roberto Amaral – O quadro eleitoral ainda é uma incógnita. A Marina teve 20 milhões de votos em 2010 em condições especiais. Ela não tem necessariamente esse mesmo número de eleitores. Não creio que transferirá todos os seus votos para o Eduardo, mas ela emprestará sua imagem para a chapa e para a campanha. A imagem de uma mulher séria e trabalhadora. Não sabemos ainda como essa imagem se integrará à do Eduardo e nem o peso que ela terá na campanha.

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sexta-feira, 4 de outubro de 2013 partidos | 22:43

Presidente do PEN ofereceu candidatura a Marina Silva, mas não abriu mão do controle da legenda

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O leitor desavisado do noticiário político não deve estar entendendo o motivo pelo qual Marina Silva resistiu aos acenos de Adilson Barroso, presidente do Partido Ecológico Nacional (PEN), para que a ex-senadora se filie à legenda.

Afinal, Marina acaba de ter recusado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de registro de seu partido, a REDE. Sem um partido, Marina não teria chances concorrer à Presidência da República no ano que vem, como queria.

E Adilson Barroso ofereceu à ex-senadora não só a filiação. Ofereceu a candidatura presidencial, o cargo de presidente nacional do partido e, até, a possibilidade de mudar o nome do PEN.

Então por que Marina não aceitou?

Porque Adilson ofereceu isso tudo, mas não abriu mão do controle do partido.

Marina poderia ficar com a presidência do PEN, mas os demais cargos continuariam com os atuais comandantes da legenda. Ela seria uma espécie de rainha da Inglaterra.

Política experiente, a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente sabe que boa parte dos partidos nanicos vive sonhando com os anos eleitorais. Não porque ganhará muitos votos. Mas porque é nessa época que candidatos estão dispostos a colocar a mão no bolso.

O leitor pode imaginar quanto vale cada minuto de TV em horário nobre do programa eleitoral a que os partidos têm direito por lei. É este tempo de TV que faz muitos grandes partidos oferecerem mundos e fundos aos nanicos para formarem coligações.

Para o dirigente de uma legenda nanica, abrir mão do controle do partido é abrir mão da possibilidade de negociar nos Estados.

Negociar não só o tempo de TV nas campanhas majoritárias regionais, como também negociar a entrada de candidatos aos cargos proporcionais, especialmente aqueles dispostos a gastar.

Foi justamente por não ter o controle da legenda que Marina e seu grupo havia saído do Partido Verde (PV).

Não dava para caminhar rumo a uma candidatura presidencial sem ter segurança do apoio da legenda na base. Não daria para partir para uma campanha sob o risco, por exemplo, de o PV de Minas fechar com Aécio Neves (PSDB), ou o PV do Maranhão apoiar Dilma Rousseff (PT) e o de Pernambuco ficar com Eduardo Campos (PSB).

Imagina agora se, após ter abandonado o PV, ela entrasse no PEN e o nanico acabasse fechando com Sérgio Cabral e Eduardo Paes (PMDB) no Rio de Janeiro, ou ACM Netto na Bahia.

É por isso que Marina resistiu aos acenos do PEN.

Mas na política, como no amor, tudo é possível. O desfecho da novela pode surgir nas próximas horas.

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